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Mas, em meio a esta tormenta, desponta um religioso dos mais brilhantes e luminosos pela santidade: São João de Capistrano.
Nasceu na cidade que lhe deu osobrenome, perto de Nápoles, na Itália, e formou-se nos estudos jurídicos na universidade de Perúgia. Casou-se com a filha de uma família da nobreza da época e foi um brilhante juiz, logo nomeado governador de uma cidade no centro da Itália.
Mas não deu sorte, pois além de ser vítima de várias intrigas políticas, viu a cidade ser invadida por tropas napolitanas. Ele próprio acabou sendo jogado na prisão. Foi uma época terrível para sua formação intelectual, e que o mudou completamente.
Desiludido com a felicidade terrena e as falsidades, procurou refúgio na dedicação espiritual. Ao falecer a esposa que tanto amava, resolveu assumir de vez o hábito religioso.
Vendeu tudo o que tinha, com o dinheiro pagou a liberdade e internou-se num convento da Ordem de São Francisco de Assis. Tinha, na época, cerca de trinta anos.
Viveu os quarenta anos seguintes como sacerdote dos mais atuantes. Agiu internamente pela volta aos princípios originais da ordem e externamente pregando para os povos com enorme sucesso.
Dizem que, mesmo quando pregava em terras onde seu idioma, o latim, não era entendido, levava as multidões às lágrimas só por vê-lo, embalada em suas expressões de fé e entrega.
Dizem até que cento e vinte estudantes em Leipzig e cento e trinta em Constantinopla entraram para a vida religiosa ao ouvir um único sermão de são João de Capistrano.
Desempenhou missões especiais de defesa e convencimento das posições da Igreja entre os hereges da Itália, os armênios e outros povos.
Mas seu trabalho pela Igreja não se limitou às palavras. Admirado e ouvido por todos os papas do tempo em que viveu, em idade já bem madura recebeu a ordem de comandar uma cruzada contra os turcos.
Depois de tomar Constantinopla, os inimigos ameaçavam tomar a Europa através da Hungria. Foi seu grande último feito, mas de êxito total.
Sua pregação inflamada uniu os cristãos da Europa, convenceu-os a formar um exército e a enfrentar os invasores. Mesmo em número inferior, os soldados combalidos encontravam forças em seu comandante para não desistir.
João de Capistrano os animava e encorajava, lutando ao seu lado e gritando palavras de ordem em favor da Igreja e da fé. Desta forma, e com resistência sobre-humana, os turcos foram vencidos.
Mas, três meses depois, consumido pelo trabalho árduo e pelas sucessivas viagens tão difíceis naqueles tempos, morreu em território croata em 23 de outubro de 1456.
Deixou como legado o exemplo da própria vida, além de dezessete volumes com escritos sobre a religiosidade.
(© 1997-2002 Direitos reservados Pia Sociedade Filhas de São Paulo - www.paulinas.org.br)

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