terça-feira, 23 de setembro de 2014

Um pouco sobre a história da Albânia, onde o Papa Francisco faz a sua visita apostólica.
A Albânia sempre foi marcada por uma grande diversidade religiosa. Com a expansão do Império Otomano na península balcânica diversos povos foram islamizados. Os albaneses abraçaram a fé islâmica, contudo, um grande número da população se manteve fiel ao catolicismo que estava estabelecido há séculos na região. A proximidade com a Itália e a Croácia, dois grandes centros católicos, ajudou na manutenção da Igreja. Isso permitiu que na Albânia templos cristãos e muçulmanos coexistissem lado a lado, literalmente.
O maior herói nacional, símbolo da unidade do povo albanês, foi George Kastrioti Skanderbeg (1405 - 1468), um nobre criado na corte otomana e que mais tarde renunciou ao islamismo, retornando à religião dos seus pais, o catolicismo. Conseguiu unir os príncipes albaneses numa guerra contra os turcos. Ainda com muitos êxitos militares, após a sua morte os otomanos reconquistaram a região. A Albânia só conseguiria a liberdade em 1920.
Em 1944, após a expulsão das forças nazistas que ocupavam o país, a Albânia passa a ser uma República Socialista, governada com mão de ferro por Enver Hoxha. Em 1967 a Albânia se tornou no primeiro "estado ateu" do mundo. Centenas de mesquitas e dezenas de bibliotecas islâmicas - contendo manuscritos de valor incalculável - foram destruídas. As igrejas também não foram poupadas, e muitas foram convertidas em centros culturais para os jovens. Manifestações religiosas, agora inconstitucionais, eram punidas com três a dez anos de prisão. Com a morte de Hoxha em 1985 inicia o desmoronamento deste que foi considerado o mais fechado dos regimes socialistas.
Com a abertura do país, em 1992, as religiões (islamismo, catolicismo e ortodoxia) começam a reconstruir os seus templos e a reerguer das cinzas as suas tradições que foram por décadas duramente combatidas.

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