quarta-feira, 26 de março de 2014

O silêncio orante, celebrante e participativo só se alcança à medida que se vai amadurecendo na fé e na própria dimensão humana da vida. É fruto de exercício. Só assim ele comunica.
Desafios do silêncio na liturgia
Apontamos aqui alguns desses desafios, mas certamente há muitos outros:
1, A qualidade de vida interior daqueles que celebram, a qual se revela à medida que se é capaz de rezar, e rezar em comunhão com a Trindade e com os irmãos.
2. A inconsciência ou desconhecimento da força da linguagem do silêncio, sempre se achando que ao se falar se comunica mais, ao movimentar-se se diz mais e que silêncio é não-participação.
3. A pressa em acabar logo a celebração, pressa essa revelada por meio do olho no relógio, na ansiedade em estar a postos para outros compromissos posteriores à celebração.
4. A influência deste mundo consumista e pragmatista que afeta tanto as celebrações litúrgicas, a começar muitas vezes pelos que presidem, pelos que exercem o ministério na liturgia.
5. A desconfiança de que o povo não gosta do silêncio, sobretudo o “povo jovem e o povo criança”, e que todo silêncio tem de ser preenchido com alguma coisa a mais.
6. A ilusão de que se festeja mais e melhor quanto mais se fala, se canta, se faz barulho, se movimenta, se aplaude, se ri, se dança.
7. A falta de atmosfera e clima de oração comunitária, muitíssimas vezes descurada pelos próprios responsáveis da ação litúrgica.
8. A ausência de iniciação ao silêncio na catequese, na vida de oração e na própria evangelização, e que acaba repercutindo na expressão litúrgica.
9. O ativismo e agitação de tantos responsáveis pela ação evangelizadora e celebrativa da Igreja, que não vêem muita razão de ser na ação contemplativa, como se fosse perda de tempo.

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