03 de Dezembro
São Franciso Xavier, Missionário S. J.
São Francisco Xavier,
o grande Apóstolo das índias, o maravilhoso taumaturgo do século dezesseis,
glória da Igreja e da Companhia de Jesus, a que pertenceu, nasceu aos 7 de Abril
de 1506, no castelo de Xavier, no reino de Navarra. Na idade de dezoito anos foi
levado pelo pai a Paris, onde se matriculou na Universidade daquela cidade.
Extraordinários foram os progressos que Xavier fazia nos estudos. Doutorou-se em
filosofia e começou logo as preleções sobre esta mesma matéria. Uma inteligência
raríssima e outras qualidades apreciáveis foram os dotes, com que Deus
distinguiu a quem tinha escolhido, para ser-lhe nas mãos instrumento de um
apostolado fertilíssimo. O ideal de Xavier era ser grande no século e encher o
mundo de glórias de seu nome. Passados alguns anos, o pai quis chamá-lo para
junto de si; a irmã, porém, que era priora no convento das Clarissas em Gandien,
religiosa de muita virtude e santidade, fez com que desistisse desta idéia,
porque Xavier, assim profetizou, era por Deus predestinado a ser Apóstolo de
muitos povos.
No tempo que Xavier
esteve em Paris, vivia na mesma cidade um outro eleito do Senhor — Santo Inácio
de Loiola. Conhecendo os grandes talentos de Francisco, tratou de travar
relações com este, na intenção a ganhá-lo para a causa do Senhor. Não era fácil
conseguir este propósito, visto a vaidade e a ambição de Francisco terem em mira
fins bem diferentes. Inácio, porém, esclarecido por uma luz divina, não
desanimou e, graças à oração e à insistência na palavra de Cristo: “Que
aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder a alma” teve a
satisfação de observar no discípulo uma grande mudança. Francisco entregou-se
inteiramente à direção de Inácio e, tendo feito os exercícios espirituais, foi
recebido entre os primeiros associados da Companhia de Jesus. Passado algum
tempo, recebeu Francisco ordem de seguir para a Itália. Dois meses passou em
Veneza, ocupando-se como enfermeiro no hospital. Existia ali um doente, cujo
corpo estava coberto de úlceras asquerosas, que exalavam um cheiro nauseabundo.
Como ninguém dele se quisesse compadecer, Francisco venceu heroicamente o nojo,
que a moléstia lhe causava, tratou do pobre doente com todo carinho, chegando a
ponto de abraçá-lo, beijar-lhe as úlceras e sugar-lhes o pus. Deus recompensou
este heroísmo e Francisco nenhuma repugnância mais Mentiu dos doentes. Dois
meses depois recebeu Francisco a ordenação sacerdotal. Quarenta dias de solidão,
oração e penitência precederam a celebração da sua primeira Missa.
João III, Rei de
Portugal, pediu ao Papa que mandasse seis sacerdotes da Companhia de Jesus para
as possessões que a coroa portuguesa tinha adquirido nas índias. Santo Inácio só
dois pôde destacar para aquela missão: os Padres Simão Rodriguez e Nicolau
Bobadila. Este adoeceu gravemente e para substituí-lo foi designado Francisco
Xavier, sem dúvida por Deus para tão elevada missão escolhido. Com imensa
satisfação recebeu Francisco este destino, e pôs-se a caminho com o companheiro,
não levando senão o crucifixo, o breviário e um bastão. Após viagem
perigosíssima, chegaram a Lisboa, onde se hospedaram não no paço real, mas no
hospital. Não havendo ocasião de partir para as índias, Francisco prestou
serviços aos doentes, conforme as circunstâncias o permitiam. Ao ver o grande
zelo dos dois missionários, João III manifestou o desejo de podê-los reter em
Lisboa. Com a licença do Superior Santo Inácio, ficou o Padre Simão Rodriguez em
Portugal; Francisco, porém, prosseguiu na viagem rumo as índias. Em sua
companhia viajaram mais dois sacerdotes, que tinham sido admitidos na Companhia
de Jesus. O navio levava 900 passageiros, dos quais grande número adoeceu.
Francisco fez-se enfermeiro deles, e com os modos caridosos conseguiu levá-los
todos à prática de uma vida cristã. Esta missão continuou em Moçambique, onde o
navio, sendo inverno, ancorou, e ficou durante seis meses. O descanso noturno
que Francisco se permitia, não excedia de três horas, e servia-lhe de leito o
soalho, de travesseiro a amarra. Já tinha passado treze meses da partida de
Lisboa, quando afinal aportaram em Goa, capital das índias. O Apóstolo São Tomé,
assim reza a tradição, tinha pregado o Evangelho na índia e convertido grande
parte da população. Do cristianismo alguns vestígios tinham-se conservado
através dos séculos. Francisco encontrou o paganismo em toda a pujança, do qual
os próprios portugueses pareciam ser os primeiros devotos. Foi em Goa mesmo que
Francisco encetou os trabalhos apostólicos. Foram as crianças, a quem se dirigiu
primeiro. Passando de rua em rua, ao som de uma campainha chamava grandes e
pequenos, explicando-lhes em seguida a doutrina cristã, ensinando-lhes a rezar
pequenas orações e cantar alguns cânticos religiosos. Muitas destas crianças
tornaram-se apóstolos nas famílias, e pediram aos pais que fossem procurar o
grande missionário. Outros traziam ídolos dos pais e vizinhos e queimavam-nos na
presença de Francisco. Ainda outros indicavam ao missionário os lugares onde
havia crianças expostas, para que os batizasse antes de morrerem.
Tendo por algum tempo
e com ótimo resultado catequizado a infância, Francisco dirigiu-se aos adultos.
Aos cristãos pregava penitência e a santificação da vida; aos fiéis mostrava a
verdade da fé cristã. Em tudo desenvolveu um zelo admirável. Os dias eram-lhe
pequenos para vencer o trabalho que fazia, de pregar, confessar e batizar. As
noites eram em grande parte passadas em oração e penitência.
De Goa Francisco se
dirigiu a Piscária e ao reino de Travancor, onde batizou dez mil brâmanes. Na
Piscária os batizados eram tantos, que lhe cansava o braço. Muitos sacerdotes
pagãos, convencidas do erro do paganismo e da verdade da doutrina cristã,
converteram-se. Em sua presença Francisco chamou à vida quatro mortos. Como os
Apóstolos, possuía o dom das línguas. Sem ter aprendido o idioma hindu, com os
seus múltiplos dialetos, pregava a doutrina cristã e todos o compreendiam
perfeitamente. Esta circunstância, bem como os numerosas e estupendos milagres
que fazia quase diariamente, chamou a atenção dos povos circunvizinhos, que
vinham em chusma, para conhecer o homem extraordinário, e ouvir-lhe a
doutrina.
Francisco empreendeu
grandes viagens, no intuito de propagar o reino de Deus na terra. De uma ilha
dirigiu-se a outra, de um reino passou a outro, empregando todas as energias na
causa da salvação das almas. Os trabalhos, fadigas e sofrimentos não conhecia
medida. Em sonho lhe foram mostrados os trabalhos e sofrimentos que lhes estavam
reservados e Francisco, vendo-os, exclamou: “Ainda mais, Senhor! Mandai
trabalhos, sofrimentos, provações!” Em Meliapur visitou o túmulo do Apóstolo São
Tomé, e passou ali muitas noites em oração. Em Malaca muitos maometanos, judeus
e pagãos se converteram. Entre outros receberam o batismo uma mulher com sua
filha única. Esta morreu e foi enterrada. Três dias depois a mãe se apresentou
ao Santo, comunicou-lhe a morte da jovem e pediu-lhe que em nome de Jesus Cristo
a chamasse à vida. Xavier retirou-se por um momento para rezar, voltou e disse à
mulher: “Vai, tua filha vive!” A mãe foi-se; com o auxílio de algumas pessoas
abriu a cova e achou a filha viva e sã.
De Malaca embarcou
para umas ilhas, que eram habitadas por antropófagos. O amor de Jesus Cristo não
o fazia medir perigos, e pronto estava para derramar o seu sangue, sempre que
Deus o quisesse.
Quando, numa viagem
por mar, fortíssima tempestade pôs em perigo a embarcação, Francisco entrou em
oração e as ondas acalmaram.
Sendo excessivo o
trabalho para uma pessoa só, Santo Inácio mandou novos auxiliares sacerdotes e
irmãos. Francisco estacionou-os em diversos lugares. Em companhia de um
sacerdote e de um irmão, fez a viagem para o Japão, onde nunca tinha chegado a
boa nova do Evangelho. Poucas linhas não chegam para relatar os trabalhos
apostólicos de Francisco no império do Sol nascente. Basta dizer que, como na
índia, a palavra, os milagres e a santidade de Francisco Xavier causaram grandes
conversões.
O zelo apostólico não
se lhe contentou com os resultados estupendos obtidos na índia e no Japão. Mais
longe lhe iam as aspirações. Depois de uma viagem de inspeção às índias,
acompanhado por um Irmão, tomou um navio, que o devia levar à ilha de Sancian,
que fica trinta milhas distante da China. Durante a viagem começou a faltar a
água potável e houve muita doença a bordo. Francisco mandou que enchesse de água
do mar alguns barris. Rezando sobre estes, mandou tirar daquela água, que se
tinha convertido em água doce e todos recuperaram a saúde.
O desejo de Francisco
de estabelecer o reino de Cristo na China, não pôde ser satisfeito. Aprouve a
Deus chamar o fiel servo a eterna recompensa. Em 20 de Novembro foi Francisco
acometido de um forte acesso de febre e por Deus cientificado da morte eminente.
Uma sangria que se lhe fez muito desajeitadamente, aumentou ainda os sofrimentos
do doente.
Semelhante ao divino
Mestre durante a vida, quis Francisco ser-lhe igual na morte. Paupérrimo,
desprovido de todo conforto, longe dos seus, privado da assistência dos Irmãos,
morreu Francisco em 2 de Dezembro de 1552, na doce paz do Senhor. Os olhos do
moribundo ou procuravam o céu ou o crucifixo; os lábios murmuravam-lhe
incessantemente jaculatórias como: “Jesus! Maria! Filho de Davi, tende compaixão
de mim! Maria, mostrai que sois minha mãe!”
As últimas Palavras
que disse, foram: “Em vós pus minha esperança, Senhor, não serei confundido”.
São Francisco apesar de ter trabalhado só dez anos como missionário nas índias e
no Japão, levou milhares de almas ao céu.
Grandiosa
apresenta-se-nos a obra de São Francisco Xavier. Mais de cem mil milhas
percorreu, para semear a palavra divina; em mais de cem ilhas e reinos pregou o
Evangelho; a mais de duzentas mil pessoas administrou o sacramento do batismo e
sem número é a multidão daqueles que por sua palavra foram levados à penitência
e à fé verdadeira.
O corpo do Santo foi
revestido de vestes sacerdotais, depositado num caixão e coberto de cal virgem,
para assim acelerar a decomposição e possibilitar o mais breve possível a
trasladação dos ossos para a Índia. Dois meses tinham já passado e nenhum sinal
de decomposição se anunciava; o corpo do Santo exalava um doce perfume. A
trasladação para a índia foi feita com grande solenidade. Nos lugares onde o
navio atracava, se realizaram grandes milagres. Ao chegar à cidade de Malaca,
esta se viu livre da peste, que a assolava. O braço direito, com que o Apóstolo
batizou a tantos milhares, foi separado do corpo e levado para Roma, onde está
em grande veneração.
É admirável observar
como uma pessoa, em tão curto lapso de tempo, pôde levar a efeito uma obra tão
imponente, como o fez São Francisco Xavier. Explicam-no o grande e ardente zelo
do Santo pela salvação das almas, a santidade de vida, as virtudes que possuía
em grau perfeitíssimo, os talentos extraordinários, e antes de tudo a graça
divina. Os biógrafos enumeram, entre os dons sobrenaturais que Deus concedeu a
Francisco, os seguintes: o dom das línguas; o dom de conhecer as coisas futuras;
o dom de ser orientado sobre coisas e acontecimentos, no mesmo momento em que se
deram, em lugares bem distantes; o dom de fazer milagres, entre os quais se
relatam vinte e cinco ressurreições de mortos. Dificilmente será encontrado um
Santo dos últimos séculos, a quem Deus tivesse concedido tantos privilégios e
por um prazo de muitos anos.
O Papa Urbano VIII,
referindo-se a São Francisco Xavier, disse: “Francisco foi um Apóstolo dos povos
dos nossos tempos, verdadeiramente eleito por Deus. Deus glorificou-o perante o
mundo todo, por um grande número de milagres e profecias.” — “Não fez menos —
disse o Papa Gregório XV — que os grandes Apóstolos fizeram”.
Francisco Xavier foi
canonizado por Gregório XV, no ano de 1621. Benedito XIV apresentou-o aos países
da índia oriental, como padroeiro, e hoje a Igreja o venera como padroeiro da
grande obra missionária em toda a terra.
REFLEXÕES
Uma das figuras mais
salientes na história das Missões católicas é São Francisco Xavier. O zelo, o
amor às almas deste Santo é modelar para todos os missionários, de todos os
países e de todos os tempos. Zelar pelas missões é dever de todo o católico.
Trabalhar pelas missões é traduzir praticamente a petição do Pai-Nosso, que diz:
“Venha a nós o vosso reino.” Os Papas não se cansam de chamar a atenção dos
católicos para as missões e lembrar-lhes a obrigação que têm, de ajudar
efetivamente a Igreja na grandiosa obra da propagação da fé. Todos devem entrar
nas fileiras dos trabalhadores na vinha do Senhor; uns como missionários ativos,
outros com a colaboração na imprensa missionária, ainda outros pela propaganda
da idéia missionária entre os católicos, todos com a esmola material e
espiritual. Se todos os católicos compreendessem nitidamente o dever de
trabalhar pelas missões — disse o Papa Pio XI — e se com esta obrigação
cumprissem, em pouco tempo seria satisfeito o desejo de Jesus Cristo: de haver
um só rebanho e um só pastor; em pouco tempo o mundo inteiro seria convertido ao
cristianismo.
Reza muito pelas
missões e os missionários e manda inscrever teu nome numa das grandes obras
pontifícias pelas missões, ou entra em uma ou outra Liga de Missas pró Missões.
As obras oficiais pontifícias destinadas para leigos, promissões, são: 1.° a
Obra de Propaganda da Fé; 2.° a Obra da Santa Infância; 3.° a Obra de São Pedro
pela formação do clero indígena.
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