
Nossa Senhora Aparecida:Guilherme Pintassilgo.
A CRUCIFIXÃOChegados ao Monte, lançaram-Me por terra, arrancaram-Me os vestidos e deixaram-Me nú para assim Me exporem à vista de todos. As Minhas feridas reabriram-se e o Meu Sangue corria pela terra. Os soldados deram-Me vinho misturado com fel.
Eu recusei-o, porque tinha já no Meu íntimo a amargura que Me haviam provocado os Meus inimigos.
Pregaram-Me, primeiro os Pulsos e, depois de Me terem fixado à Cruz com os Cravos, estenderam o Meu Corpo já trespassado, atravessaram-Me os Pés com violência.
Minha filha, ó Minha filha, que sofrimento! Que agonia! Que tortura para a Minha Alma! Abandonado pelos Meus bem-amados, renegado por Pedro, sobre o qual Eu mesmo havia fundado a Minha Igreja; re-negado pelo resto dos Meus amigos; deixado só, abandonado pelos Meus inimigos. Chorei.
A Minha Alma estava repleta de dor.
Os soldados levantaram a Minha Cruz e colocaram-na no buraco preparado.
De onde Me encontrava, contemplei a multidão.
Tentando ver, com dificuldade, com os Meus Olhos inchados, observei então o mundo. Não vi amigo algum, por entre aqueles que escarneciam de Mim. Ninguém viera para Me consolar: "Meu Deus! Meu Deus! Por que Me abandonaste?" Abandonado por todos os que Me amavam.
O Meu Olhar pousou, então, sobre a Minha Mãe.
Contemplei-A e os Nossos Corações falaram: "Dou-te os Meus filhos muito amados, para que sejam também Teus filhos.
Tu serás a sua Mãe".
Tudo estava consumado, a salvação estava próxima.
Vi os Céus abrirem-se e todos os anjos estavam petrificados e em silêncio.
"Pai, nas Tuas Mãos entrego o Meu Espírito. Agora, estou Contigo".
(A Verdadeira Vida em Deus, 9.11.1986)

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