segunda-feira, 31 de dezembro de 2012


A DESCOBERTA DE DEUS NA ATIVIDADE HABITUAL

dezembro 27, 2012

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A descoberta de Deus na atividade habitual

Como em Nazaré, como os primeiros cristãos
Para aqueles que são chamados por Deus a santificar-se no meio do mundo, converter o trabalho em oração e ter alma contemplativa, é o único caminho, porque “ou sabemos encontrar o Senhor em nossa vida ordinária ou nunca O encontraremos”, afirmava São Josemaria.
Convém que meditemos bem devagar sobre este ensinamento capital de São Josemaria. Neste texto, consideraremos o que é a contemplação; em outras ocasiões, deter-nos-emos no aprofundamento da vida contemplativa no trabalho e nas atividades da vida ordinária.
A descoberta de Deus, na atividade habitual de cada dia, dá aos próprios afazeres seu valor último e sua plenitude de sentido. A vida oculta de Jesus em Nazaré, os anos intensos de trabalho e de oração, nos quais Jesus Cristo levou uma vida comum — como a nossa, se o quisermos —, divina e humana ao mesmo tempo, mostram que a atividade profissional, a atenção dedicada à família e as relações sociais não são obstáculo para orar sempre (Lc 18,1), mas ocasião e meio para uma vida intensa de intimidade com o Senhor, até que chega um momento em que é impossível estabelecer uma diferença entre trabalho e contemplação.
Por esse caminho de contemplação na vida ordinária, seguindo as pegadas do Mestre, decorreu a vida dos primeiros cristãos: «quando passeia, conversa, descansa, trabalha ou lê, o crente ora» (Clemente de Alexandría, Stromata, 7, 7.), escrevia um autor do século II. Anos mais tarde, São Gregório Magno testemunha, como um ideal tornado realidade em numerosos fiéis, que «a graça da contemplação não se dá sim aos grandes e não aos pequenos; mas muitos grandes a recebem, e também muitos pequenos; e tanto entre os que vivem retirados como entre pessoas casadas. Portanto, se não há estado algum entre os fiéis que fique excluído da graça da contemplação, aquele que guarda interiormente o coração pode ser ilustrado com essa graça» (São Gregório Magno, In Ezechielem homiliae, 2, 5, 19.).
O Magistério da Igreja, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, recordou muitas vezes esta doutrina, tão importante para os que têm a missão de levar Cristo a todas as partes e transformar o mundo com o espírito cristão. «As atividades diárias apresentam-se como um precioso meio de união com Cristo, podendo converter-se em matéria de santificação, terreno de exercício das virtudes, diálogo de amor que se realiza nas obras. O espírito de oração transforma o trabalho e, assim, torna-se possível estar em contemplação de Deus ainda que permanecendo nas ocupações mais variadas» ( João Paulo II, Discurso ao Congresso «A grandeza da vida ordinária», no centenário do nascimento de São Josemaria, 12-I-2002, n. 2).
 
Ensina o Catecismo que «a contemplação de Deus na Sua glória celestial é chamada pela Igreja de ‘visão beatífica’» (CIC 1028). Desta contemplação plena de Deus, própria do Céu, podemos ter uma certa antecipação nesta terra, um princípio imperfeito (Cfr. Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I, q. 12, a. 2, c; e II-II, q. 4, a.1; q. 180, a. 5, c.) que, embora seja de ordem diversa da visão, é já uma verdadeira contemplação de Deus, assim como a graça, embora sendo de ordem distinta da glória, é, não obstante, uma verdadeira participação na natureza divina. Agora vemos como num espelho, obscuramente; depois veremos cara a cara. Agora conheço de modo imperfeito, depois conhecerei como sou conhecido (1 Cor 12, 12. Cfr. 2 Cor 5, 7; 1 Jn 3, 2.), escreve São Paulo.
Essa contemplação de Deus como num espelho, durante a vida presente, é possível graças às virtudes teologais, à fé e à esperança vivas, informadas pela caridade. A fé unida à esperança e vivificada pela caridade «faz-nos saborear antecipadamente o gozo e a luz da visão beatífica, fim de nosso caminhar aqui em baixo» (CIC 163). A contemplação é um conhecimento amoroso e gozoso de Deus e de seus desígnios manifestados nas criaturas, na Revelação sobrenatural e plenamente na Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, nosso Senhor. «Ciência de amor» (São João da Cruz, Noite escura, liv. 2, cap. 18, n. 5), chama-a São João da Cruz. A contemplação é um conhecimento total da verdade, alcançado não por um processo de raciocínio, mas por uma intensa caridade (Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 180, a. 1, c e a.3, ad 1).
A oração mental é um diálogo com Deus. Escreveste-me: “Orar é falar com Deus. Mas, de quê?” — De quê? D’Ele e de ti: alegrias, tristezas, êxitos e fracassos, ambições nobres, preocupações diárias, fraquezas! e ações de graças e pedidos; e amor e desagravo. Em duas palavras, conhecê-Lo e conhecer-te: “relacionar-se!” (São Josemaria, Caminho, n. 91). Na vida espiritual, este relacionamento com Deus tende a simplificar-se à medida que aumenta o amor filial, cheio de confiança. Sucede, então, que, com frequência, já não são necessárias as palavras para orar nem as exteriores nem as interiores. Sobram as palavras, porque a língua não consegue expressar-se; já o entendimento se aquieta. Não se raciocina, olha-se! (São Josemaria, Amigos de Deus, n. 307).
Isto é a contemplação, um modo de orar ativo, mas sem palavras, intenso e sereno, profundo e simples. Um dom que Deus concede aos que o buscam com sinceridade, aos que põem toda a alma no cumprimento de Sua Vontade com obras e procuram mover-se na sua presença. Primeiro uma jaculatória, depois outra e outra…, até que parece insuficiente esse fervor, porque as palavras resultam pobres: e dá-se passagem à intimidade divina, num olhar para Deus sem descanso e sem cansaço (São Josemaria, Amigos de Deus, n. 296). Isto pode suceder, como ensina São Josemaria, não só nos tempos dedicados expressamente à oração, mas também enquanto realizamos com a maior perfeição possível, dentro de nossos erros e limitações, as tarefas próprias de nossa condição e de nosso ofício, afirmava o santo acima citado.
J. López
http://www.opusdei.org.br
27/12/2012
Fonte:http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=13037

EMANUEL ARAUJO CRISTAO:GARANHUNS

PADRE CHRYSTIAN SHANKAR: VOCÊ É UMA PESSOA PESSIMISTA OU OTIMISTA?

dezembro 31, 2012

PAPA BENTO XVI: A SAGRADA FAMÍLIA DE NAZARÉ

dezembro 31, 2012
Angelus do Papa Bento XVI
A Sagrada Família de Nazaré.
30.12.2012 – Cidade do Vaticano: Milhares de fiéis e peregrinos participaram, neste domingo, na Praça São Pedro, da oração mariana do Angelus, conduzida pelo Papa Bento XVI.
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje é a festa da Sagrada Família de Nazaré. Na liturgia, a passagem do Evangelho de Lucas nos apresenta a Virgem Maria e São José que, fiéis à tradição, vão para Jerusalém para a Páscoa junto com Jesus aos 12 anos. A primeira vez em que Jesus entrou no Templo do Senhor foi 40 dias depois do seu nascimento, quando os seus pais ofereceram para ele “um par de rolas ou dois pombinhos” (Lc 2,24), isso é, o sacrifício dos pobres. “Lucas, cujo todo Evangelho é perpassado de uma teologia dos pobres e da pobreza, faz entender… que a família de Jesus foi contada entre os pobres de Israel; nos faz entender que propriamente entre eles podia amadurecer o cumprimento da promessa”(A infância de Jesus, 96).
Jesus hoje está de novo no Templo, mas desta vez tem um papel diferente, que o envolve em primeira pessoa. Ele cumpre, com Maria e José, a peregrinação a Jerusalém segundo o que prescreve a Lei (cfr Es 23,17; 34,23ss), mesmo que ainda não tinha cumprido o 13º ano de idade: um sinal da profunda religiosidade da Sagrada Família. Quando, porém, os seus pais retornam para Nazaré, acontece algo inesperado: Ele, sem dizer nada, permanece na Cidade. Por três dias Maria e José o procuram e o encontram no Templo, em diálogo com os mestres da Lei (cfr Lc 2,46-47); e quando lhe pedem explicações, Jesus responde que não deviam se surpreender, porque aquele é o seu lugar, aquela é a sua casa, com o Pai, que é Deus (cfr A infância de Jesus, 143). “Ele – escreve Orígenes – professa estar no templo de seu Pai, aquele Pai que revelou a nós e do qual disse ser Filho” (Homilia sobre o Evangelho de Lucas, 18, 5).
A preocupação de Maria e José por Jesus é a mesma de cada pai que educa um filho, o introduz na vida e para a compreensão da realidade. Hoje, portanto, é necessária uma oração especial ao Senhor por todas as famílias do mundo. Imitando a Sagrada Família de Nazaré, os pais se preocupam seriamente com o crescimento e a educação dos próprios filhos, para que amadureçam como homens responsáveis e honestos cidadãos, sem esquecer nunca que a fé é um dom precioso para alimentar nos próprios filhos também com o exemplo pessoal.
Ao mesmo tempo, rezamos para que cada criança seja acolhida como dom de Deus, seja sustentada pelo amor do pai e da mãe, para poder crescer como o Senhor Jesus “em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52). O amor, a fidelidade e a dedicação de Maria e José sejam exemplo para todos os casais cristãos, que não são os amigos ou os mestres da vida de seus filhos, mas os guardiões deste dom incomparável de Deus.
O silêncio de José, homem justo (cfr Mt 1,19), e o exemplo de Maria, que guardava cada coisa no seu coração (cfr Lc 2, 51) nos faça entrar no mistério pleno da fé e da humanidade da Sagrada Família. Desejo a todos as famílias cristãs viver na presença de Deus com o mesmo amor e a mesma alegria da família de Jesus, Maria e José.

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.


EMANUEL ARAUJO CRISTAO:GARANHUNS


FELIZ ANO NOVO

dezembro 31, 2012

DESEJAMOS A TODOS UM ANO NOVO DE PAZ, AMOR, FÉ, PROSPERIDADE E HARMONIA.
QUE A PAZ DE JESUS E O AMOR DE MARIA INVADAM O CORAÇÃO DE VOCÊS DESDE O PRIMEIRO SEGUNDO DESTE NOVO ANO QUE SE INICIA.
FIQUEM COM DEUS
PAZ E BEM.

PADRE JOSAFÁ: A CURA DOS LEPROSOS

novembro 17, 2012

A IGREJA VIVE DA EUCARISTIA

novembro 17, 2012

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A igreja vive da Eucaristia

Por Ela é nutrida, por Ela é iluminada
 
No Evangelho (Jo 6,24-35), depois do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus se apresenta como o “Pão da Vida”. Entusiasmado com o milagre, o povo procura por Ele. Vê-se que o povo não entendeu o sentido daquele gesto. Quando viram que não conseguiam encontrar Cristo nem os Seus discípulos, subiram às barcas e foram a Cafarnaum.Quando o encontraram novamente, Jesus lhes disse: “Em verdade, em verdade, Eu vos digo: estais Me procurando, não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos” (Jo 6,26). Comenta Santo Agostinho: “Buscais-me por motivos da carne, não do espírito. Quantos há que procuram Jesus, guiados unicamente pelos seus interesses materiais! Só se pode procurar Jesus por Jesus”.
Com uma valentia admirável, com um amor sem limites, Jesus expõe o dom inefável da Sagrada Eucaristia, dada a nós como alimento. Pouco importa se, ao terminar a revelação, muitos dos que O seguiram com fervor acabem O abandonando. O Senhor não recua: “‘Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará’. Mas eles perguntaram: ‘Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?’ Jesus respondeu-lhes: ‘A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou’” (Jo 6,27-29).
Apesar de muitos presentes terem visto o prodígio do dia anterior, disseram-Lhe: “Que milagre fazes Tu, para que possamos ver e crer em Ti? Nossos pais comeram o Maná no deserto como está na Escritura: Deu-Lhes a comer o Pão do Céu’” (Jo 6,30-31).
Jesus Cristo é o verdadeiro alimento que nos transforma e nos dá forças para realizarmos a nossa vocação cristã. Exorta vivamente o beato João Paulo II: “Só mediante a Eucaristia é possível viver as virtudes heroicas do Cristianismo: a caridade até o perdão dos inimigos, até o amor pelos que nos fazem sofrer, até a doação da própria vida pelo próximo; a castidade em qualquer idade e situação de vida; a paciência, especialmente na dor e quando estranhamos o silêncio de Deus nos dramas da história ou da nossa existência. Por isso, sede sempre almas eucarísticas para poderdes ser cristãos autênticos”.A igreja vive da Eucaristia. O concílio Vaticano II afirmou que o sacrifício eucarístico é “fonte e centro de toda a vida cristã” (LG, 11). Com efeito, “na Santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o Pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo” (PO, 5).
A Igreja vive de Jesus Eucarístico, por Ele é nutrida, por Ele é iluminada. A Eucaristia é mistério de fé e, ao mesmo tempo, mistério de luz. Sempre que a Igreja a celebra, os fiéis podem, de certo modo, reviver a experiência dos dois discípulos de Emaús: “Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no” (Lc 24,31).

Referindo-se à Eucaristia, ensinava São Josemaría Escrivá: “O maior louco que já houve e haverá é Ele (Jesus). É possível maior loucura do que entregar-se como Ele se entrega e àqueles a quem se entrega?
Porque, na verdade, já teria sido loucura ficar como um Menino indefeso; mas, nesse caso, até mesmo muitos malvados se enterneceriam, sem atrever-se a maltratá-Lo. Achou que era pouco: Quis aniquilar-se mais e dar-se mais. E fez-se comida, fez-se Pão. Divino Louco! Como é que te tratam os homens?… E eu mesmo?” (Forja, 824).
Da Eucaristia brotam todas as graças e todos os frutos de vida eterna – para cada alma e para a humanidade –, porque, neste sacramento, “está contido todo o bem espiritual da Igreja” (PO, 5).
Quando nos aproximamos da mesa da Comunhão, podemos dizer: “Senhor, espero em Ti; adoro-Te, amo-Te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas” (Forja, 832).
Façamos nosso (no bom sentido) o pedido do povo citado no Evangelho: “Senhor, dá-nos sempre desse pão” (Jo 6,34).
Rezemos pelos padres! Rezemos ao Senhor para que continue enviando sacerdotes para a Igreja. Que Ele continue abençoando e plenificando a vida de todos os sacerdotes.
Monsenhor José Maria Pereira
15/11/2012
Fonte:http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12997

EMANUEL ARAUJO CRISTAO:GARANHUNS


MÁRCIO MENDES: SEJA VOCÊ O MILAGRE QUE A SUA FAMÍLIA PRECISA

novembro 20, 2012

PAPA BENTO XVI: CAMINHOS PARA CONHECER DEUS

novembro 19, 2012

Catequese do Papa

Bento XVI

Caminhos para

conhecer Deus.

14.11.2012 – Cidade do Vaticano: Milhares de fiéis e peregrinos participaram esta quarta-feira, na Sala Paulo VI, da Audiência Geral com Bento XVI. Em sua catequese, o Papa propôs a meditação acerca das três vias de acesso ao conhecimento de Deus. Vias que podem abrir o coração do homem ao conhecimento do Senhor, sinais que conduzem em direção a Ele.
Caros irmãos e irmãs,

Quarta-feira passada refletimos sobre o desejo de Deus que o ser humano traz consigo no profundo de si mesmo. Hoje gostaria de continuar a aprofundar este aspecto meditando brevemente com vocês sobre algumas vias para chegar à consciência de Deus.

Gostaria de recordar, no entanto, que a iniciativa de Deus antecede sempre cada iniciativa do homem e, também no caminho para Ele, é Ele primeiro que nos ilumina, nos orienta e nos guia, respeitando sempre a nossa liberdade. E é sempre Ele que nos faz entrar na sua intimidade, revelando-se e doando-nos a graça para poder acolher esta revelação na fé. Não esqueçamos nunca a experiência de Santo Agostinho: não somos nós a possuir a Verdade depois de tê-la procurado, mas é a Verdade que nos procura e nos possui.
Todavia há algumas vias que podem abrir o coração do homem ao conhecimento de Deus, há sinais que conduzem para Deus. Certo, muitas vezes corremos o risco de sermos ofuscados pelo brilho do mundanismo, que nos tornam menos capazes de percorrer tais caminhos ou de ler tais sinais. Deus, porém, não se cansa de procurar-nos, porque nos ama.

Esta é uma verdade que deve nos acompanhar cada dia, também se certas mentalidades propagadas tornam mais difícil à Igreja e ao cristão comunicar a alegria do Evangelho a cada criatura e conduzir todos ao encontro com Jesus, único Salvador do mundo. Esta, porém, é a nossa missão, é a missão da Igreja e cada crente deve vivê-la alegremente, sentindo-a como própria, através de uma existência animada verdadeiramente pela fé, marcada pela caridade, pelo serviço a Deus e aos outros, e capaz de irradiar esperança. Esta missão brilha, sobretudo, na santidade à qual todos somos chamados.
Hoje, o sabemos, não faltam dificuldades e provações para a fé, muitas vezes mal compreendida, contestada, rejeitada. São Pedro dizia aos seus cristãos: “Estejam sempre prontos a responder, mas com doçura e respeito, a quem lhe pede a esperança que está em vossos corações”.

No passado, no Ocidente, em uma sociedade considerada cristã, a fé era o ambiente em que tudo acontecia; a referência e a adesão a Deus eram, para a maioria das pessoas, parte da vida cotidiana. Pelo contrário, aquele que não acreditava precisava justificar a própria descrença. No nosso mundo, a situação mudou e sempre mais aquele que crê precisa ser capaz de dar razão da sua fé. O Beato João Paulo II, na sua Encíclica Fides et ratioressaltava como a fé é colocada à prova também na época contemporânea, atravessada por formas sutis e insidiosas do ateísmo teórico e prático (cfr nn. 46-47).

A partir do Iluminismo, a crítica à religião intensificou-se; a história foi marcada também pela presença de sistemas ateus, nos quais Deus era considerado uma mera projeção da alma humana, uma ilusão e o produto de uma sociedade já distorcida por tantas alienações. O século passado conheceu um forte processo de secularismo, em nome da autonomia absoluta do homem, considerado como medidor e artífice da realidade, mas empobrecido do seu ser criatura, “à imagem e semelhança de Deus”.

Nos nossos tempos, verificou-se um fenômeno particularmente perigoso para a fé: existe, de fato, uma forma de ateísmo que definimos, precisamente, “prático”, no qual não se negam a verdade da fé ou os ritos religiosos, mas simplesmente são considerados irrelevantes para a existência cotidiana, destacados da vida, inúteis. Muitas vezes, então, acredita-se em Deus de modo superficial e se vive “como se Deus não existisse” (etsi Deus non daretur). No final, porém, este modo de viver resulta ainda mais destrutivo, porque leva à indiferença para com a fé e a questão de Deus.
Na realidade, o homem, separado de Deus, é reduzido a uma única dimensão, aquela horizontal, e este reducionismo é uma das causas fundamentais dos totalitarismos que tiveram consequências trágicas no século passado, bem como a crise de valores que vemos na realidade atual. Obscurecendo a referência a Deus, obscureceu-se também o horizonte ético, para deixar espaço ao relativismo e a uma concepção ambígua da liberdade, que em vez de fins libertadores, acaba por amarrar o homem aos ídolos.

As tentações que Jesus enfrentou no deserto antes de sua missão pública, representam bem quais ídolos fascinam o homem,quando não vai além de si mesmo. Se Deus perde a centralidade, o homem perde o seu lugar certo, não encontra mais a sua colocação na criação, nas relações com os outros. Não diminui isso que a sabedoria antiga evoca com o mito de Prometeu: o homem acha que pode tornar-se a si mesmo “deus”, mestre da vida e da morte.
Diante deste quadro, a Igreja, fiel ao mandato de Cristo, não cessa nunca de afirmar a verdade sobre o homem e sobre o seu destino. O Concílio Vaticano II afirma sinteticamente: “A maior razão da dignidade do homem consiste em sua vocação à comunhão com Deus. Desde o nascimento, o homem é convidado ao diálogo com Deus: não existiria, na verdade, se não fosse criado pelo amor de Deus, por Ele sempre é conservado por amor, nem vive plenamente segundo a verdade se não O reconhece livremente e não se confia ao seu criador.” (Cost. Gaudium et spes, 19).
Que respostas, então, é chamada a dar a fé, com “doçura e respeito”, ao ateísmo, ao ceticismo, à indiferença para com a dimensão vertical, a fim de que o homem do nosso tempo possa continuar a interrogar-se sobre a existência de Deus e a percorrer os caminhos que conduzem a Ele? Gostaria de mencionar alguns caminhos, que derivam seja da reflexão natural, seja da própria força da fé. Gostaria de resumir para vocês muito sinteticamente em três palavras: o mundo, o homem, a fé. 
A primeira: o mundo. Santo Agostinho, que na sua vida procurou longamente a Verdade e foi agarrado pela Verdade, tem uma belíssima e célebre obra, na qual afirma: “Interrogue a beleza da terra, do mar, do ar rarefeito e em toda parte expandida; interrogue a beleza do céu…, interrogue todas estas realidades. Todos te responderão: olhe para nós também e observe como somos belos. A beleza deles é como um hino de louvor. Ora, essas criaturas tão belas, mas mudando, quem as fez se não um que é a beleza de modo imutável?” (Sermo 241, 2: PL 38, 1134).

Penso que devemos recuperar e fazer recuperar ao homem de hoje a capacidade de contemplar a criação, a sua beleza, a sua estrutura. O mundo não é um magma disforme, mas quanto mais o conhecemos, mais descobrimos os surpreendentes mecansimos, mais vemos um projeto, vemos que tem uma inteligência criadora. Albert Einstein disse que nas leis da natureza “revela-se uma razão assim superior que toda a racionalidade do pensamento e das ordens humanas é comparativamente um reflexo absolutamente insignificante” (O Mundo como o vejo eu, Roma 2005). Uma primeira via, então, que conduz à descoberta de Deus é o contemplar com olhos atentos a criação.
A segunda palavra: o homem. Sempre Santo Agostinho, então, tem uma célebre frase na qual diz que Deus é mais íntimo a mim quanto o seja eu a mim mesmo (cfr Confessioni III, 6, 11). Daqui ele formula o convite: “Não ande fora de si, entre em si mesmo: no homem interior habita a verdade” (De vera religione, 39, 72). Este é um outro aspecto que nós corremos o risco de perder no mundo barulhento e distraído em que vivemos: a capacidade de parar e olhar em profundidade para nós mesmos e ler esta sede de infinito que trazemos dentro, que nos impele a andar além e refere-se a Alguém que possa preenchê-la. O Catecismo da Igreja Católica afirma: “Com a sua abertura à verdade e à beleza, com o seu senso de bem moral, com a sua liberdade e a voz do conhecimento, com a sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência de Deus” (n. 33).
A terceira palavra: a fé. Sobretudo na realidade do nosso tempo, não devemos esquecer que um caminho que conduz ao conhecimento e ao encontro com Deus é o caminho da fé. Quem crê está unido a Deus, está aberto à sua graça, à força da caridade. Assim a sua existência torna-se testemunha não de si mesmo, mas do Ressuscitado, e a sua fé não tem medo de mostrar-se na vida cotidiana, é aberta ao diálogo que exprime profunda amizade para o caminho de cada uma, e sabe abrir luzes de esperança à necessidade de redenção, de felicidade, de futuro.

A fé, de fato, é encontro com Deus que fala e opera na história e que converte a nossa vida cotidiana, transformando em nós a mentalidade, juízos de valor, escolhas e ações concretas. Não é ilusão, fuga da realidade, refúgio confortável, sentimentalismo, mas é implicação de toda a vida e é anúncio do Evangelho, Boa Notícia capaz de libertar todos os homens. Um cristão, uma comunidade que seja diligente e fiel ao projeto de Deus que nos amou primeiro, constitui uma via privilegiada para aqueles que estão na indiferença ou na dúvida acerca da sua existência e da sua ação. Isto, porém, pede a cada um para tornar sempre mais transparente o próprio testemunho de fé, purificando a própria vida para que seja conforme Cristo.

Hoje muitos têm compreensão limitada da fé cristã, porque a identificam como um mero sistema de crença e de valores e não tanto com a verdade de um Deus revelada na história, desejoso de comunicar com o homem face a face, em um relacionamento de amor com ele. Na realidade, o fundamento de cada doutrina ou valor tem o acontecimento do encontro entre o homem e Deus em Cristo Jesus. O Cristianismo, antes que uma moral ou uma ética, é caso de amor, é o acolher a pessoa de Jesus. Por isto, o cristão e a comunidade cristã devem antes de tudo olhar e fazer olhar para Cristo, verdadeiro caminho que conduz a Deus. Obrigado.

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.

EMANUEL ARAUJO CRISTAO:GARANHUNS


PADRE DONIZETE HELENO: ABANDONASTE O TEU PRIMEIRO AMOR

novembro 20, 2012

PAPA BENTO XVI: O CÉU E A TERRA PASSARÃO, MAS MINHAS PALAVRAS NÃO PASSARÃO

novembro 20, 2012

Angelus do Papa Bento XVI.
O céu e a terra passarão,
mas as minhas palavras não passarão.
18.11.2012 – Cidade do Vaticano: “Jesus não descreve o fim do mundo”, na passagem do Evangelho que a liturgia proclama neste domingo: observou Bento XVI, na alocução do meio-dia, na Praça de São Pedro, com os peregrinos e romanos ali congregados, como habitualmente, para a recitação da oração mariana. Este discurso “escatológico” de Jesus, sobre “os últimos tempos” – observou o Papa – “é provavelmente o texto mais difícil dos Evangelhos”.
“Essa dificuldade deriva tanto do conteúdo como da linguagem: fala-se de fato de um futuro que ultrapassa as nossas categorias e é por isso que Jesus utiliza imagens e palavras retomadas do Antigo Testamento, mas – sobretudo – insere um novo centro, que é Ele próprio, o mistério da sua pessoa e da sua morte e ressurreição”.
De fato, o “Filho do homem” de que fala o Evangelho, retomando a profecia de Daniel, é o próprio Jesus, que põe em ligação o presente com o futuro. “As antigas palavras dos profetas encontraram finalmente um centro na pessoa do Messias nazareno. É Ele o verdadeiro acontecimento que, nos meios dos abalos e perturbações do mundo, permanece como o ponto firme e estável”.
Bento XVI pôs em realce a afirmação de Jesus “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”, observando que na Bíblia é a Palavra de Deus que está na origem da criação… “Esta potência criadora da Palavra divina concentrou-se em Jesus Cristo, Verbo feito carne, e passa também através das suas palavras humanas, que são o verdadeiro firmamento que orienta o pensamento e o caminho do homem sobre a terra”. 
Foi neste contexto que o Papa fez notar que “Jesus não descreve o fim do mundo e, quando usa imagens apocalíticas, não se comporta como um vidente. Pelo contrário, Ele quer subtrair os seus discípulos de todos os tempos à curiosidade pelas datas e previsões, fornecendo-lhes isso sim uma chave de leitura profunda, essencial, e sobretudo indicar a via justa sobre como caminhar, hoje e amanhã, para entrar na vida eterna”.
“Tudo passa – recorda-nos o Senhor – mas a Palavra de Deus não muda e perante essa cada um de nós é responsável pelo seu próprio comportamento… Também nos nossos tempos não faltam calamidades naturais, e infelizmente, não falta também guerras e violências. Também hoje em dia temos necessidade de um fundamento estável para nossa vida e para a nossa esperança, por maioria de razão por causa do relativismo em que estamos imersos.Que a Virgem Maria nos acolha este centro na Pessoa de Cristo e na sua Palavra”.
Fonte: Rádio Vaticano.
Extraído do site:EMANUEL ARAUJO CRISTAO

EMANUEL ARAUJO CRISTAO:GARANHUNS


PADRE VAGNER BAIA: SEGURA NA MÃO DE DEUS E NUNCA AS SOLTE

novembro 22, 2012

EU ESTAVA ERRADO. PERDOE-ME!

novembro 22, 2012

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Eu estava errado. Perdoe-me!

Por qual motivo temos dificuldade de pedir perdão?
Em muitas situações de desentendimento e desconfiança nos relacionamentos humanos, bem como nas separações, brigas no trabalho e nos ambientes sociais, é importante reconhecermos uma de nossas grandes falhas: a falta de um pedido de perdão. Não reconhecermos nossos erros é um grande obstáculo na qualidade do convívio. Por qual motivo temos estas dificuldades? Um deles é admitir a “perda da nossa dignidade”, ter de passar por cima do nosso orgulho, sentirmo-nos ameaçados ao expormos nossos pontos fracos, ou que, ao pedirmos desculpas, o outro “nos ‘passe na cara’ ou use isto como uma vingança”, ou ainda que “seja lembrado pelos erros ou punido por ser honesto”. (Powell, J. 1985). Acho que, muitas vezes, você já viveu isto, não é mesmo?
Em várias situações, sentimo-nos inferiores ao pedir desculpas; temos a necessidade de passar parte de nossa vida provando que somos sempre certos, que somos sempre capazes, que somos fortes e invencíveis. De alguma forma, esta necessidade vai sendo imposta a nós e pode ser uma grande armadilha em nossas vidas.
Em outras situações, posso usar o seguinte pensamento: “se não recebi as desculpas do outro, por que eu vou me sujeitar a pedir desculpas?”. Isto nada mais é do que um grande processo de imaturidade, ao deixarmos que os comportamentos da outra pessoa possam determinar os nossos comportamentos e atitudes. É como achar certo roubar, porque alguém já roubou, não foi descoberto e nunca foi punido.
Para que possamos chegar ao ponto de pedir desculpas, é válido encontrar um ponto de honestidade com nós mesmos, assumindo falhas e limitações. Esta honestidade interior faz com que vejamos, verdadeiramente, nossa responsabilidade nas situações, possamos reconhecer o que fizemos e entrar numa atitude de reconciliação com o outro. Talvez, nem sempre consigamos perdão, mas a atitude de reconhecer é totalmente sua e, certamente, muito libertadora. Peça desculpas, mas livre-se dos que levam você a pensar: “você provocou isto”, “só reagi assim, porque você é culpado”, “estou tratando você como fui tratado por você”. Tais formas “racionais” de explicar um fato, apenas alimentam em nós mais raiva e mais ressentimento. Faz com que cubramos nossos erros e não permite que, honestamente, possamos admitir o que foi feito de errado.
“O perdão é instrumento de vida” (Cencini, A . 2005) e “força que pode mudar o ser humano”. Certamente, “a falha em pedir desculpas” e em perdoar só servirão para prolongar a separação entre duas pessoas. Para isto, “a verdade precisa estar presente em todos os sinceros pedidos de desculpa” (Powell, J. 1985), compreendendo a extensão dos prejuízos que nossas atitudes, por vezes desordenadas e desmedidas, possam ter provocado na vida do outro.
Por vezes, precisamos quebrar nossas barreiras interiores e realizarmos um grande esforço ao dizer: “Eu estava errado, perdoe-me!”, pois este esforço fará sua vida muito melhor, mesmo que o outro não aceite, de imediato, seu pedido, mas sua vida já foi mudada a partir deste gesto. 

Pense nisto: Para quem você gostaria de pedir perdão hoje? 
Foto Elaine Ribeiro
psicologia01@cancaonova.com

Elaine Ribeiro, Psicóloga Clínica e Organizacional, colaboradora da Comunidade Canção Nova.
Blog: temasempsicologia.wordpress.com
Twitter: @elaineribeirosp
16/11/2012
Fonte:http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12998

EMANUEL ARAUJO CRISTAO:GARANHUNS